Estou nesta morada: http://maufeitio3.blogs.sapo.pt
Voltei, estou nesta nova morada, com uma imagem mais profissional. O Mau Feitio é o mesmo!
Vida de Comercial

Olá pessoal,
durante vários meses escrevi sobre mim e afins. Sei que alguns de vós me acompanha desde o inicio e já me conhece muito bem. Hoje falo para todos, sem excluir uma única pessoa que me lê.
Ora bem, tenho passado por fases boas e menos boas que gosto de ultrapassar sempre com humor. Ficam menos complicadas. E para quê dramatizar, já diz o meu amigo AlfmaniaK . Durante dias a fio, sentei-me nesta cadeira preta a trabalhar (ou a fingir que). Parava por aqui e perdia-me durante horas. Não me arrependo nada, conheci pessoas fantásticas que hoje considero meus AMIGOS. Enfim... muita coisa.
Gostei de partilhar tudo convosco mas chegou a hora de fechar uma página da minha vida. É verdade, aqui a Cláudia Simões vai abraçar outro projecto profissional com muita garra e vontade. Sabia que ia chegar a minha oportunidade e só agora começou. E como não deixo nada por viver, nada por fazer, lancei-me mais uma vez.
Este blog foi bom enquanto durou. Foi bom estar por aqui e falar para todos. Foi bom ser lida. Mas a cadeira preta vai ser queimada, jamais voltarei a sentar-me numa igual. Novos horizontes me esperam. E claro, vou agarrar tudo o que vier e não vier. Consigo tudo, acredito sempre em mim. SEMPRE!
Um beijo enorme para quem cá passa.
Mau Feitio Sempre! Venha quem vier! Fiel a mim mesma...
Adeus...
- E agora?
- Não queiras saber o amanhã.
- ...?
- Vive, não faças perguntas.
- E depois?
- Ouve... ouve... o vento de amanhã vem aí. Deixa-me preparar.
- Para quê?
- Para ir com ele. O prazer foi meu. Todo meu.
- Não me trates por "minha Cláudia".
- Porquê?
- Porque não sou tua.
Eu nasci sem ti. Cresci rodeada de amigos e passos de dança. Depois aprendi que nada são sonhos que outrora sonhava deitada no campo. Conheci o amor e percebi o motivo do Mundo girar, girar em torno do Sol e não à minha volta. Deixei de comer gomas coloridas, que fazia questão de comprar sempre que saía da escola com o dinheiro que poupava no almoço.
- Não me trates por "minha mulher".
- Porquê?
- Não me limito a isso.
Vi a maldade em caras, nas minha próprias mãos. Percebi que o fim só se consegue com meios. Não em digam que vai ser assim ou assado para sempre. Não acredito nisso. Nada dura tanto tempo. Não quero sentir que sou objecto de alguém, eu não sou de ninguém. Tudo o que escolho é para mim. Tenho lá culpa que a minha personalidade se vá construindo desta forma. Claro que tenho. Nasci, cresci e morrerei dona de mim mesma.
Não me tentes dominar. Não me tentes agarrar porque vou escapando sempre. Não me trates por tua, não sou de ninguém. Não me queiras completar porque ninguém consegue. Não me apagues. Não me escondas.
- Como queres que te trate?
- Bem.
- Vais escrever sobre isto?
- Não. Eu só escrevo o que quero ler algures por aí.
- Lá estás tu...
- Sério. Vou apagar este texto.
Em tão pouco tempo as coisas podem mudar. A Terra não pára de girar. O que é mau hoje amanhã não é mais. Ora estamos mal, ora bem. Engraçado como as coisas nos parecem tão más, e depois vem sempre mais uma para nos encher a cabeça e mais outra para completar a caixa de chatices e puff ... Desaparece.
Já nada corre mal. Voltam os sorrisos e nada nos enfrenta perante tanta segurança.
Andamos de cabeça em baixo e só nos apetecer bater no Mundo. Ninguém nos diga nada porque mal já estamos nós e não são meia dúzia de palavras que nos metem bem. A noite chega e só apetece sentar na cadeira da varanda e ouvir o silêncio. Ver o invisível . Imagens espalhadas por aí. Coisas vindas da nossa cabeça e puff ... Desaparece.
Já nada corre mal. Voltam as ideias claras e nada nos enfrenta perante tanta confiança.
Não se esqueçam que os problemas de hoje não são os de amanhã. O que corre mal agora e vos deixa tão em baixo, amanhã será para rir. Rir bem alto.
- A minha sorte chegou. Chegou. Aí vem ela.
- Onde? Onde?
- Que interessa isso? Puff ... Apareceu.
- Acreditas na sorte?
- Não, claro que não.
Hoje vou para lá. Para perto do mar. Levo comigo tanta coisa que não quero. Estou decidida a colocar tudo naquela gaveta funda lá de casa. Juntamente com os papeis da luz e publicidade. Prometi que cada vez que olhar a lua me vou ver a mim mesma. Sou como a lua. Várias fases. A Lua muda conforme eu mudo. Somos como aquelas irmãs gémeas que nunca se largam, estão sempre em sintonia. Eu vivo durante o dia, ela durante a noite. Mas vivemos, uma olha pela outra.
Hoje vou para lá. Para longe da terra que me faz cansar. As malas são poucas, os dias são curtos. Como naquela música, "vou levar os meus óculos de Sol" e deixar-me estar mesmo não estando. Sem nada, sem teclas de computador. As folhas vão comigo, sempre comigo. Não me imagino deitar naquela cama e apagar a luz sem antes ler. Quero ter tempo para respirar aquele ar, tão perto, tão perto...
Hoje vou para lá. Sentar-me na varanda ao fresquinho e fumar um cigarro. Olhar para lá e pensar em como será quando estiver de dia. Vou correr à beirinha. Vou deixar que a gaveta fique fechada por mais um bocado, porque consigo. Consigo sempre o que quero. É tão fácil quando acho que é fácil. Basta fechar os olhos e... dizer não à medida que escrevo.
A gaveta está fechada. Eu hoje vou para lá.
- Vai buscar a factura da luz.
- Onde é que está?
- Ali, naquela gaveta funda.
-....
- Olha...
- Diz.
- Olha para mim, para os meus olhos.
- Vá, diz lá. Deixa de ser piegas.
- Olha!
- Pronto. Diz.
- ...
- Porra. Diz!
- Tudo isto é tão estranho.
- O quê?
- Nós...
- Sim... e que queres dizer com isso?
- Tu já não és o mesma.
- Vais começar...
- É verdade. Sabes...
- Hum?
- Vou partir.
- Para onde?
- Não interessa.
- Tu não podes partir.
- Eu sei que não posso, mas vou. Afinal não nascemos para fazer o que se pode, mas sim o que se quer.
- É o que tu queres?
- É!
- E depois?
- Depois espero...
- Esperas pelo quê?
- Pelo resto. De certeza que vou saber o que fazer quando chegar.
- Estás maluca. Tu sempre tiveste medo.
- Agora já não tenho.
- Foi assim de repente?
- Foi. Se ficar à espera, ficarei o resto da minha vida. Se partir hoje, tudo será como eu quero.
- Não é fácil. Tu sabes que não é.
- A vida só tem sentido assim. É sinal que estou a crescer. Vou lá chegar...
- Acredito em ti. Sou a unica parva que acredita.
- Engraçado. Eu também acredito em mim.
- Vais mesmo partir hoje?
- Não sei... Agora, e para sempre, há um silêncio em mim. É um silêncio fundo que me faz falar comigo mesma. As pessoas nem sonham...
Não vou perder o de mais precioso que tenho em mim. O meu brilho, o meu sorriso que mudou de rosa para vermelho. A cor do paraíso na terra. Um pedaço de céu que consegui agarrar. Fechei a mão e vou guardar. Só para mim, para nós. Uma metade não sobrevive sem a outra. Eu prendi porque não quero libertar.
Sonhei que era Cinderela de vestido rosa. Dançava sozinha e alguém tocava na minha mão. Levava-me junto aos seus braços. Fechava os olhos e sonhava dentro do mesmo sonho. O beijo surgia no final, antes de acordar e perceber que estavas ali. Vamos para outro lado? Quero estar contigo na realidade, chega de sonhar.
O céu aqui não é da mesma cor. Sem ti agora tudo perde o sentido. Eu próprio não me sei guiar dentro deste turbilhão de sentimentos. O vento é quem me leva e traz. És a minha diva, fazes-me tanta falta. Esta vontade de te levar comigo. Aguentarei por muito tempo? É muita loucura estar longe de ti. Vamos fugir. Deixa-me ficar do teu lado só por mais um bocado, o resto dos dias.
Sonhei que eras o Príncipe de fato azul. Vieste juntar-te a mim numa dança. Pedias-me para fechar os olhos e confiar em ti. Confiei. Pedias um beijo aos meus lábios e não me querias acordar. Dorme descansada, estarei sempre por aqui. Dizias ao meu ouvido. Fazes parte da minha vida, sabes?
O despertador tocou.
Alguns de vos já conhecem estes posts, mas decidi reeditar alguns deles. Já fiz a selecção e podem contar com mais. Podem verificar que estão alterados, apesar da história e o sentido serem o mesmo. Espero ter mudado para melhor! Decidi desafiar-me a mim mesma. Podem sempre ler o antigo e verificar as mudanças. Deixarei o link. Espero que gostem do que preparei.

Querido Pai:
Com esta carta quero perguntar o motivo porque não me disseste adeus no dia da tua partida. Depois de teres feito aquele peixinho frito com arroz de tomate. Depois de teres dado banho ao mano que estava cheio de febre. Porque é que não me deste um beijo de despedida? Se ias partir, porque é que não avisaste? Não levaste mala? Não ficaste para mais uma noite. Só mais uma. Queria jogar a ultima partida contigo, para me deixares ganhar. És a maior, irias dizer. E eu convencida que era, abraçava-te até te esmagar o pescoço .
Foi difícil explicar ao Mano que tu não tinhas ido por vontade própria, que não pediram a tua opinião. Levaram-te e tiveste de ir. Nunca me esqueci, tinhas prometido jogar à bola com ele, levar-me a viajar pelo Mundo, prometeste cuidar sempre de mim. Há promessas que não podem ser cumpridas. Deixam de fazer sentido.
Custou-me não estares comigo na entrega do diploma do 9º ano. Estava de vestido. Feliz por fora, apagada por dentro. O meu ídolo partira e não me via. Consegui sozinha, sabes. Irias orgulhar-te de mim. A tua pequenita... Agora crescida.
Quando tocava o telefone, a esperança que eras tu, ia diminuindo com o passar dos dias. Recebi telefonemas em que ninguém falava e perguntava sempre, és tu,pai? Não eras tu, era engano . Cheguei a confundir-te no meio da multidão. Não eras tu. Era o pai de outra menina.
A mãe envelheceu anos. A tristeza apoderou-se dela. Os manos não perceberam o que se passava e tive de ser eu a tomar conta deles. Ainda hoje é assim. Se o teu pai cá estivesse não seria assim. Eu sei mãe. É a única certeza que tenho.
Orgulho-me tanto quando me comparam a ti. É verdade! O teu lugar desapareceu, deixou em mim um buraco enorme e eu tentei ocupá-lo de outras formas. Não deu. Não dá, confesso. Por mais vezes que me digam que estás aqui, a olhar por mim. A tua voz, o teu riso, o teu olhar. Não há nada...
Mais nova, pensei como seria o dia do meu casamento. Ao entrar na igreja vestida de branco. Eras tu que queria do meu lado. Feliz por mim. Eras tu que queria para entregar a minha mão ao meu futuro marido. Queria ver a tua lágrima ao canto do olho. A tua filha que virou mulher. Já não anda de bicicleta cor de rosa. Já não trepa paredes. Já não anda de mochila às costas. E já não quer casar...
Não me falaste da morte. Merecia saber que a vida podia, sem pré aviso, levar para sempre o meu pai, sem um adeus ou um beijo na testa. Naquela noite podia ter-te feito meu refém e memorizado. Não te deixaria sair de perto de mim. Porque preciso de ti antes, agora e sempre.
Depois da tua partida, notei que nunca mais me obrigaram a comer a sopa. Tantas vezes chorei por me obrigares a comer aqueles legumes todos. Tanta birra. Dizias que dava força. Não era? Sabes, para tu voltares era capaz de comer sopa o ano inteiro, o resto da vida.
Agradeço-te o que fizeste por mim durante oito anos. Agradeço o que ainda fazes por mim, afinal também aprendo muito com a tua ausência.
P.S. Hoje como a sopa toda. Continuo com força.
Olho para ele e lembro-me do inicio. Aquela cara que ainda tinha tanto para descobrir. As suas histórias que fiquei a decorar. Aquela t-shirt que iria ver dezenas e dezenas de vezes. As mãos que tinham andado a passear por outros terrenos, apoderaram-se da minha pele. Cada vez que olho para aquele sorriso, sei que só podia ter sido assim. Estás do meu lado. Respiro tranquila. Tu eras maluco, eras. A tua loucura sossegou, tomaste tino. Tenho orgulho em ti, já te disse? Em paz. Protegida, porque contigo nada me acerta, nada custa. Querem que as pedras me toquem, esquecem-se que estás lá. Não descolas do espaço que tenho para ti. Uma bola transparente, estamos abraçados e somos um. Um mais um não é dois, as nossas contas somam um. Nunca percebi de matemática e neste caso vou contra qualquer ciência. Juntos. Em paz. Tu vens deitar-te no meu ombro e deixo-te enrolar o braço pesado no meu corpo frágil. Olho para ti e peço mais beijos. Eu que nem sou beijoqueira. Estou carente, não vais querer ir embora e pensar que podiam ter sido mais dois, três, quatro,... Todos os dias sinto que sou amada, amada com amor. Amo-te. Não me importo de ouvir a mesma história, vou dizer "já me contaste isso". A mesma t-shirt que agora perdeu a cor. Essas mãos que passeiam pela minha pele. Esse sorriso que nunca mudou. Penso no futuro.
- Podes contar comigo.
- Obrigada. Na verdade, eu já sabia que podia contar.
Fechamos a loja. Tu abraças-me e caminhamos. Afinal, amanhã será um novo dia.
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